quinta-feira, 10 de novembro de 2011

MANGUEIRAS DE INCÊNDIO


Definição de Mangueira de Incêndio

É um equipamento para o combate a incêndio que faz parte dos materiais de estabelecimento, constituído essencialmente por dutos flexíveis utilizados para transportar água sob pressão, até o local onde deva ser utilizada, possuindo em suas extremidades juntas de união para as conexões.

Histórico das Mangueiras de incêndio

O ano preciso de uso das primeiras mangueiras não é conhecido, mas com certeza surgiu muitos séculos depois dos primeiros Bombeiros, os chineses e os romanos. Sua aplicação foi fruto da necessidade de transportar água para o local do incêndio, operação que até então era feita manualmente por meio de odres (sacos de couro para transportar líquidos). No período colonial, os profissionais tinham que se esforçar com mangueiras de couro para o transporte da água até o sinistro. O equipamento era produzido com pedaços desse material curtido e costurados com grampos de latão, sendo duras e extremamente pesadas quando úmidas, de difícil acoplamento e, com clima frio, era tão complicado manuseá-las, quanto um cano de ferro.
As primeiras mangueiras de tecido foram fabricadas na Inglaterra, em 1811, com o surgimento dos teares circulares, sendo produzidas e comercializadas pela empresa Salford. Eram tecidas em fibras naturais como algodão, linho, juta e cânhamo e não possuíam revestimento interno. A impermeabilização deste agente era obtida pelo inchamento das fibras, que aumentavam de volume ao serem molhadas, apresentando problemas de vazamento, além de serem constantemente atacadas por fungos, levando ao apodrecimento do tecido, apesar de todo o cuidado e dos longos períodos de secagem.
Já em 1868, J. B. Forsyth patenteou um processo, no qual era introduzido um tubo de borracha dentro da mangueira de tecido, encaixado pela ação do vapor em alta temperatura. Este sistema, hoje conhecido por vulcanização, só veio a ser utilizado com sucesso quase um século depois, com o desenvolvimento de novos tipos de borracha e de produtos químicos que aumentaram a sua durabilidade. Nos anos 60, as fibras sintéticas começaram gradativamente a substituir as naturais, trazendo inúmeras vantagens.

Classificação Quanto ao diâmetro (Ø)

As mangueiras utilizadas para os serviços de extinção de incêndios, pelos Corpos de Bombeiros, possuem diâmetros internos de 38 mm, 63 mm, 75 mm e 100 mm.
       As mangueiras de 38 mm (1 ½” – uma e meia polegadas), são normalmente utilizadas nas linhas de ataque, ou para linhas diretas, fazendo-se uso de reduções.
       As mangueiras de 63 mm (2 ½” – duas e meia polegadas), são normalmente utilizadas nas linhas de ligação, ou para linhas diretas.
       As mangueiras de 75 mm ( 3” – três polegadas), são normalmente utilizadas nas linhas de ligação das embarcações dos Corpos de Bombeiros.
       As mangueiras de 100 mm ( 4” – quatro polegadas), são normalmente utilizadas nas linhas adutoras para incêndios, ou para abastecimento direto dos hidrantes de coluna, quando se necessita um volume de água considerável.
*Obs.: Para os efeitos deste item consideramos:
          Linha de ataque é a disposição de mangueiras conectadas após o divisor (derivante) e antes do esguicho.
          Linha de ligação é a disposição de mangueiras conectadas entre a boca expulsora da Viatura (Vtr), moto-bomba ou hidrante e o divisor.
          Linha direta é a disposição de mangueiras conectadas entre a boca expulsora da Viatura (Vtr), moto-bomba ou hidrante e o esguicho.
          Linhas adutoras é a disposição de mangueiras conectadas entre a boca expulsora da Viatura (Vtr), moto-bomba ou hidrante e o divisor ou Vtr, devendo ser de diâmetro mínimo de 63 mm.
*Nota: Os diâmetros que a NBR 11861/98 trata, são nominais da ordem de 40 e 65 mm.

Quanto ao comprimento

  As mangueiras utilizadas pelos Corpos de Bombeiros, possuem lances de 15 metros de comprimento, conforme NBR 11861/98. Algumas mangueiras possuem 30 metros de comprimento, mas são mais utilizadas em áreas industriais. Existem mangueiras que por sofrerem muitos cortes, ficam com 10 m e até menos, sendo esta, chamada de suplemento.

Nomenclatura das mangueiras

As mangueiras dividem-se em:
1) Mangueira propriamente dita;
2) Juntas de união.
1) Mangueira propriamente dita: É constituída por um tubo flexível, condutor de água.
2) Juntas união: São conexões metálicas destinadas à realizar o engate rápido das mangueiras, entre si e com qualquer equipamento de material do estabelecimento. São constituídas em alumínio, bronze ou latão. As juntas são do tipo “STORZ”. Essas juntas de união fabricadas em alumínio, duro-alumínio, bronze ou latão, eliminam o problema das juntas diferentes, macho e fêmea, pois cada junta possui, ambos dispositivos e são mais rápidas e mais práticas, menos sensíveis a defeitos devido ao fato do mecanismo de engate ficar protegido de batidas pela carcaça.
Consta de uma parte principal de onde é montada a mangueira e de um anel móvel preso à peça anterior por um anel de arame de aço. O anel móvel possui dois ressaltos internos em forma de unhas, que são reentrâncias onde se alojam os ressaltos da outra junta. Possuem ainda um alojamento adequado, existente na sua frente, uma arruela de borracha de forma prismática, destinada a dar pressão e vedação simultaneamente, chamada gaxeta. Para unir as duas juntas desse tipo, basta encaixar-se as duas nas reentrâncias e girar no sentido dos anéis. Os alojamentos das unhas são em forma de rampa, o que força as gaxetas a se aproximarem, dando a vedação perfeita.

Inspeção, manutenção e cuidado em mangueiras de incêndio

Inspeção: Exame periódico que se efetua na mangueira de incêndio com a finalidade de determinar se esta está apta para uso.

Manutenção: Serviço efetuado na mangueira de incêndio, após sua utilização ou quando requerido por uma inspeção, com a finalidade de mantê-la apta para o uso.

Mangueira em uso: Designação dada à mangueira quando devidamente instalada em local previamente definido, estando esta, em condições de prontidão para combate a incêndios.

Inspeção e Manutenção

1)      Toda mangueira deverá ser inspecionada e ensaiada hidrostaticamente, antes de ser colocada em uso.
2) Toda mangueira quando em uso, deve ser inspecionada e ensaiada hidrostaticamente a cada doze meses respectivamente. Recomenda-se maior freqüência para mangueiras que estejam expostas a condições agressivas tais como, ambientes quentes, úmido e/ou instaladas em locais onde o piso seja abrasivo e/ou impregnado de produtos químicos e derivados de petróleo.
3) O usuário deve identificar individualmente as mangueiras sob sua responsabilidade e manter registro histórico de sua vida útil, em fichas ou outros meios que possibilitem controle das datas de inspeção e manutenção, bem como registro de outras ocorrências. Recomenda-se o uso de uma ficha de controle com conteúdo mínimo.
4) A mangueira após manutenção que obrigue redução no seu comprimento, somente deve retornar para uso, caso a redução seja de no máximo, 2% de seu comprimento nominal.

Cuidados

As recomendações a seguir, objetivam a preservação da mangueira durante o uso, devendo o usuário sempre que possível, evitar as seguintes situações:
  1. passar a mangueira sobre cercas, muros ásperos, cantos vivos e pontiagudos;
  2. manobras violentas de derivantes, ou fechamento abrupto de esguichos e registros (estrangulamento);
  3. contato direto com fogo, brasas e superfícies quentes;
  4. arraste da mangueira e uniões sobre o piso;
  5. queda de uniões;
  6. contato da mangueira com produtos químicos e derivados de petróleo, salvo recomendações específicas do fabricante;
  7. guardar mangueira quando molhada;
permanecer com a mangueira conectada no hidrante.

Falhas durante o uso

Por tratar-se de equipamento que não pode apresentar falhas durante o uso, caso  ocorra as seguintes situações, a mangueira deverá ser levada para manutenção:
  1. Desgaste por abrasão e/ ou fios rompidos na carcaça têxtil, principalmente na região do vinco;
  2. Desgaste por abrasão no revestimento externo, caso a mangueira seja do tipo 4 ou 5;
  3. Presença de manchas e/ou resíduos na superfície externa, provenientes de contato com produtos químicos ou derivados de petróleo;
  4. Desprendimento do revestimento interno e/ou externo;
  5. Evidência de deslizamento das uniões em relação à mangueira;
  6. Dificuldade para o acoplamento dos engates das uniões;
  7. Deformação nas uniões, provenientes de quedas, golpes ou arrastes;
  8. Ausência de vedação na borracha de vedação das uniões (gaxetas) ou borracha de vedação apresentando ressecamento, fendilhamento ou corte.
Limpeza

-          Todo resíduo, mofo ou mancha deve ser removido quando possível, da superfície externa da mangueira;
-          Quando necessária apenas uma limpeza a seco, deve-se utilizar uma escova com cerdas não metálicas, longas e macias e o escoamento deve ser executado cruzado, ou seja, no sentido da trama e do urdume;
- Para uma lavagem, deve-se utilizar água potável e se necessário, sabão neutro e escova.

Secagem

Salvo recomendação específica do fabricante, toda mangueira deve ser seca interna e externamente quando na condição de uso;
A secagem deve ser efetuada à sombra, estando a mangueira na vertical ou apoiada em plano inclinado a, no mínimo, 1º da horizontal, para isso deve-se utilizar torres adequadas;
Quando utilizado equipamento de secagem forçada (tipo estufa elétrica) que reduzem pela metade o tempo de secagem, recomenda-se que a temperatura não ultrapasse 50ºC.

Acondicionamento de mangueiras de incêndio

De acordo com o tipo de utilização, as mangueiras podem ser, à escolha do usuário, acondicionada nas formas abaixo descritas.
Forma “zig-zag” deitada: A mangueira em forma de zig-zag deitada, deve ser apoiada por um de seus vincos, sobre uma superfície não abrasiva. Nesta forma podem ser acoplados vários lances para formação de linha pronta.
Forma “zig-zag” em pé: Neste tipo de acondicionamento, a mangueira deve ser posicionada na vertical, sobre si própria.



Forma espiral: Consiste em enrolar o lance a partir de uma de suas extremidades sobre si mesmo, formando uma espiral. Esta forma só deve ser utilizada para armazenamento em estoque.


Forma aduchada: A mangueira em forma aduchada, consiste em enrolar o lance previamente dobrado contra si mesmo, formando uma espiral a partir da dobra, em direção às extremidades, podendo ser aduchada simples, ou dupla. Recomenda-se esta forma de acondicionamento nas caixas de hidrantes.



A mangueira em uso, ou apta para uso, deve ser armazenada em local ou compartimento seco, ventilado, protegida de incidência direta de raios solares e atmosferas agressivas, tais como vapores de derivados de petróleo, vapores ácidos e etc.
A mangueira deve ser enrolada para acondicionamento, com formação de novo vinco, ou seja, a posição anterior da dobra, deverá ser distensionada.



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