sexta-feira, 7 de outubro de 2011

TÉCNICAS DE EXTINÇÃO DE INCÊNDIO


OBJETIVOS

- Utilizar o esguicho, mangueira e agentes extintores apropriados para as diversas classes de incêndio;
- Identificar os perigos resultantes de um incêndio em uma edificação;
- Executar a técnica para fuga de emergência;
- Descrever os procedimentos a serem executados em ocorrência envolvendo corrente elétrica;
- Cortar o fluxo de eletricidade em uma edificação;
- Atuar em ocorrências de vazamento de gás, com ou sem fogo;
- Utilizar os seguintes métodos de aplicação de água:
       Ataque direto;
       Ataque indireto;
       Ataque combinado;
- Descrever as precauções a serem seguidas durante o avanço de linha de mangueira em local de incêndio;
- Identificar os tipos de incêndios em matas;
- Descrever os métodos de combate a incêndios em mata e os equipamentos necessários;
- Identificar os cuidados necessários no combate a incêndios em mata.
Técnica de extinção de incêndio é a utilização correta dos meios disponíveis para extinguir incêndios com maior segurança e com um mínimo de danos durante o combate.
  
                Os bombeiros devem estar aptos a executar com rapidez e eficiência as evoluções determinadas pelo comandante da guarnição. Este nível de profissionalização é alcançado quando há empenho no treinamento por parte das guarnições que trabalham juntas. A familiaridade com os equipamentos de combate a incêndios é obtida através de instrução constante.
A guarnição deve trabalhar como uma equipe, onde cada bombeiro tem sua missão definida:
          O comandante da guarnição toma decisões para o desenvolvimento tático, assiste e supervisiona os integrantes da guarnição quanto aos procedimentos técnicos (técnica aplicada);
          O motorista conduz o veículo em segurança com guarnição e equipamento, e opera a bomba;
          Os chefes de linha e auxiliares armam as linhas determinadas, operam os esguichos e realizam outras missões, conforme determinação do Comandante.
          As técnicas de extinção são determinadas pelas peculiaridades de cada classe e tipo de incêndio e suas características.
                         Cabe esclarecer que as linhas d’água ou de ataque devem ser usadas prioritariamente em ataques internos, isto é, por dentro da edificação.
                         A penetração numa edificação somente deve ser evitada quando houver risco para as guarnições (possibilidade de desabamento, excesso de calor, falta de visibilidade, perigo de explosão, presença de produtos perigosos, possibilidade de radiação atômica). Outras situações de ataque externo constituirão, quase invariavelmente, erros grosseiros.

          Combate a Incêndio "Classe A“
                         Os incêndios classe “A”, isto é, incêndios em combustíveis comuns (papel, madeira, tecidos) que deixam resíduos característicos (brasa, carvão, cinza), em geral, são extintos por resfriamento, podendo se utilizar também o abafamento, retirada do material e quebra da reação em cadeia.
                         A água é o agente extintor mais eficaz para o resfriamento. A aplicação de água será bem sucedida se a quantidade utilizada for suficiente para resfriar o combustível que está queimando para temperaturas que o conduzam abaixo do ponto de combustão.

          Ataque Direto
                         O mais eficiente uso de água em incêndio em queima livre é o ataque direto.
                         O bombeiro deve estar próximo ao incêndio, utilizando jato contínuo ou chuveiro (30º ou menos), sempre concentrando o ataque para a base do fogo, até extingui-lo. 


Não jogar mais água que o necessário para a extinção, isto é, quando não mais houver chamas.
                Em locais com pouca ou nenhuma ventilação, o bombeiro deve usar jatos intermitentes e curtos até a extinção. Os jatos não devem ser empregados por muito tempo, sob pena de perturbar o balanço térmico.
                O balanço térmico é o movimento dos gases aquecidos em direção ao teto e a expansão de vapor d’água em todas as áreas, após a aplicação dos jatos d’água. Se o jato for aplicado por muito tempo, além do necessário, o vapor começará a se condensar, causando a precipitação de fumaça ao piso e, por sua vagarosa movimentação, haverá perda da visibilidade, ou seja, os gases aquecidos que deveriam ficar ao nível do teto tomarão o lugar do ar fresco que deveria ficar ao nível do chão e vice-versa.

Ataque Indireto
                Este método é chamado de ataque indireto porque o bombeiro faz a estabilização do ambiente, usando a propriedade de vaporização da água, sem entrar no ambiente. Deve ser executado quando o ambiente está confinado e com alta temperatura, com ou sem fogo. É preciso cuidado porque esta pode ser uma situação propícia para o surgimento de uma explosão ambiental (backdraft ou flashover).
Este ataque não deve ser feito enquanto não houver certeza da retirada das vítimas do local, porque a grande geração de vapor poderia matá-las. Realiza-se dirigindo o jato d’água para o teto superaquecido, tendo como  resultado a produção  de aproximadamente 1.700 litros de vapor, à pressão normal e temperatura superior a 100º C.
                No ataque indireto, o esguicho será acionado por um período de 20 a 30 segundos, no máximo. Não poderá haver excesso de água, o que causaria distúrbios no balanço térmico.
“Flashover”
                Na fase da queima livre, o fogo aquece gradualmente todos os combustíveis do ambiente. Quando determinados combustíveis atingem seu ponto de ignição, simultaneamente, haverá uma queima instantânea e concomitante desses produtos, o que poderá provocar uma explosão ambiental, ficando toda a área envolvida pelas chamas. Esse fenômeno é conhecido como “Flashover”. 



“Backdraft”
                A combustão é definida como oxidação, que é uma reação química na qual o oxigênio combina-se com outros elementos.
                O carbono é um elemento naturalmente abundante, presente, entre outros materiais, na madeira. Quando a madeira queima, o carbono combina com o oxigênio para formar dióxido de carbono (CO2 ), ou monóxido de carbono (CO ). Quando o oxigênio é encontrado em quantidades menores, o carbono livre (C) é liberado, o que pode ser notado na cor preta da fumaça.
                Na fase de queima lenta em um incêndio, a combustão é incompleta porque não há oxigênio suficiente para sustentar o fogo. Contudo, o calor da queima livre permanece, e as partículas de carbono não queimadas (bem como outros gases inflamáveis, produtos da combustão) estão prontas para incendiar-se rapidamente assim que o oxigênio for suficiente. Na presença de oxigênio, esse ambiente explodirá. A essa explosão chamamos “Backdraft”. 


A quantidade de água a ser empregada em um compartimento deve ser calculada levando em consideração a seguinte fórmula:

Q = 1,5 x volume do ambiente (m3)
Onde:
Q = Ipm (vazão)
Volume = área x altura
EXEMPLO :
Um salão com as seguintes medidas :
Largura :10 m    Comprimento : 24 m    Altura : 3 m
10 m  x   24 m = 240 m²(área)
...
3 m (altura)
240 m² (área) x 3 m (altura) = 720 m³  (volume)
Q = 1,5 X 720 = 1.080
(a vazão neste calculo terá como unidade Ipm)

Essa vazão (Q) deve ser aplicada por 30 segundos.
              Um esguicho regulável de 38mm, com 5,5 kg/cm² (80psi) de pressão, descarrega aproximadamente 360 lpm; logo, é necessária a utilização de 3 esguichos simultaneamente, por 30 segundos, procurando atingir todo o teto do compartimento (1.080 : 360 = 3).
             Após a aplicação de água, o bombeiro aguarda a estabilização do ambiente, isto é, que as labaredas baixem e se reduzam a focos isolados. Isso poderá ser constatado através dos seguintes sinais:
          não mais se vê a luminosidade das labaredas;
          não mais se ouve o som característico de materiais em combustão.
          O processo de estabilização do ambiente será muito rápido e o bombeiro perceberá os sinais logo após a aplicação de água.
                    O bombeiro, após estabilizado o ambiente, deve entrar no local com o esguicho fechado e extinguir os focos remanescentes através de jatos intermitentes de pequena duração, dirigidos diretamente à base do fogo. Quando estiver desenvolvendo esta fase, o bombeiro deve fazer com que o volume de água utilizado seja o menor possível.
                      Quando do término da utilização do esguicho, deve-se fechá-lo lentamente, para evitar golpe de Aríete.
          Quando da aplicação da água por qualquer abertura da edificação, os homens devem se manter fora da linha da abertura para se protegerem da expulsão de gases quentes e vapor que sairão através das aberturas. 

Ataque Combinado
                Quando o bombeiro se depara com um incêndio que está em local confinado, sem risco de explosão ambiental, mas com superaquecimento do ambiente, que permite a produção de vapor para auxiliar a extinção (abafamento e resfriamento), usa-se o ataque combinado.
                O ataque combinado consiste na técnica da geração de vapor combinada com ataque direto à base dos materiais em chamas. O esguicho, regulado de 30 a 60 graus, deve ser movimentado de forma a descrever um círculo, atingindo o teto, a parede, o piso, a parede oposta e novamente o teto.



No ataque combinado, os bombeiros devem ficar abaixados com a mangueira sobre o ombro, o que facilitará a movimentação circular que caracteriza este ataque. Quando não houver mais geração de vapor, utiliza-se o ataque direto para a extinção dos focos remanescentes.
                Lembrar que:
          Nunca se deve aplicar água na fumaça;
          A aplicação de água na fumaça não extingue o incêndio, somente causa danos, distúrbios no balanço térmico, desperdício de água e perda de tempo.

Seleção de Linhas e Jatos
                A técnica de aplicação de água somente será bem sucedida se a forma e a quantidade utilizada for adequada e suficiente.
                Para isso, a seleção de linhas e jatos dependerá das necessidades da situação, tais como:
          volume de água disponível e o necessário para a extinção;
          alcance do jato;
          número de pessoas disponíveis para manobrar as linhas;
          mobilidade exigida;
          tática e técnica escolhida.
          Obviamente, seria errado escolher uma linha direta de 38 mm, ou ainda o mangotinho, para atacar um incêndio numa grande ocupação comercial totalmente envolvida pelo fogo. O ataque não teria o volume nem o alcance necessário.
                         Também é incorreto atacar um dormitório de residência familiar com uma linha de 63 mm, descarregando 940 litros por minuto, ou armar essa mesma linha não havendo reserva d’água (hidrante público) disponível.

          Combate a Incêndio “Classe B”
                         São incêndios em líquidos e gases inflamáveis que, por terem características próprias, possuem métodos de extinção distintos.

          Combate a Incêndios em Líquidos Inflamantes
                         O melhor método de extinção para a maioria dos incêndios em líquidos inflamáveis é o abafamento, podendo ser utilizado também a quebra da reação em cadeia, a retirada do material e o resfriamento.
                         O controle de incêndios em líquidos inflamáveis pode ser efetuado “com água”, que atuará por abafamento e resfriamento. Na extinção por abafamento, a água deverá ser aplicada como neblina, de forma a ocupar o lugar do oxigênio, que está suprindo a combustão nos líquidos.
A técnica de resfriamento somente resultará em sucesso se o combustível tiver ponto de combustão acima da temperatura normal da água (20º C). Ao se optar pelo uso de água deve-se, sempre, usar o jato chuveiro ou jato neblina. O jato contínuo não deve ser utilizado, pois não permitirá o abafamento e poderá esparramar o líquido em chamas, aumentando o incêndio.
                Para se combater este tipo de incêndio em segurança, deve-se conhecer as propriedades e características dos líquidos inflamáveis, que, em sua maioria:
          geram vapores inflamáveis à temperatura ambiente (voláteis);
          flutuam na água;
          geram eletricidade estática quando fluindo;
          queimam rapidamente por sobre a superfície exposta ao calor;
          liberam durante a queima grande quantidade de calor.

          Bleve
                         Um fenômeno que pode ocorrer em recipiente com líquidos inflamáveis, trazendo conseqüências danosas, é o bleve. (Boiling Liquid Expanding Vapor Explosion).
                         Quando um recipiente contendo líquido sob pressão tem suas paredes expostas diretamente às chamas, a pressão interna aumenta (em virtude da expansão do gás exposto à ação do calor), tendo como resultado a queda de resistência das paredes do recipiente. Isto pode resultar no rompimento ou no surgimento de fissura. Em ambos os casos, todo o conteúdo irá vaporizar-se e sair instantaneamente. Essa súbita expansão é uma explosão. No caso de líquidos inflamáveis, formar-se-á uma grande “bola de fogo”, com enorme irradiação de calor.
          O maior perigo do bleve é o arremesso de pedaços do recipiente em todas as direções, com grande deslocamento de ar. Para se evitar o bleve é necessário resfriar exaustivamente os recipientes que estejam sendo aquecidos por exposição direta ao fogo, ou por calor irradiado. Este resfriamento deve ser preferencialmente com jato d’água em forma de neblina.


Resfriando com água
                Enquanto a água sem extratos de espuma é pouco eficaz em líquidos voláteis (como gasolina ou diesel), incêndios em óleos mais pesados (não voláteis) podem ser extintos pela aplicação de água em forma de neblina, em quantidades suficientes para absorver o calor produzido.      Deve-se estar atento para que não haja transbordamento do líquido e para que não ocorra o fenômeno conhecido como boil over.


Boil Over
O boil over pode ser explicado da seguinte maneira:
          Quando se joga água em líquidos de pequena densidade, a água tende a depositar-se no fundo do recipiente;
          Se a água no fundo do recipiente for submetida a altas temperaturas , pode vaporizar-se. Na vaporização da água há grande aumento de volume (1 litro de água transforma-se em 1.700 litros de vapor);
          Com o aumento de volume, a água age como êmbolo numa seringa, empurrando o combustível quente para cima, espalhando-o e arremessando-o a grandes distâncias.


Antes de ocorrer o boil over, pode-se identificar alguns sinais característicos:
          através da constatação da onda de calor: dirigindo um jato d’água na lateral do tanque incendiado, abaixo do nível do líquido, pode-se localizar a extensão da onda de calor, observando-se onde a água vaporiza-se imediatamente;
          através do som (chiado) peculiar: pouco antes de ocorrer a “explosão”, pode-se ouvir um “chiado” semelhante ao de um vazamento de vapor de uma chaleira fervendo.
                Ao identificar esses sinais, o bombeiro deve se comunicar imediatamente com o comandante. Recebendo ordem de abandonar o local, todos devem se afastar rapidamente.

Varredura com água
                A água pode ser utilizada para deslocar combustíveis, que estejam queimando ou não, para locais onde possam queimar com segurança, ou onde as causas da ignição possam ser mais facilmente controladas. Evitar que combustíveis possam ir para esgotos, drenos ou locais onde não seja possível a contenção dos mesmos.
                O jato contínuo será projetado de um lado a outro (varredura), empurrando o combustível para onde se deseja.
                Derramamento de líquidos combustíveis em via pública também pode causar desastres, inclusive acidentes de trânsito.
O líquido combustível poderá ser removido através de varredura, adicionando-se um agente emulsificador (LGE sintético ou detergente comum, por exemplo) à água e evitando, ao mesmo tempo, que o líquido se dirija para o esgoto ou rede pluvial. Pode-se também utilizar areia e cal. Essas substâncias absorvem o líquido combustível, removendo-o da via pública e impedindo que alcance a rede de esgoto ou pluvial.







Substituindo combustíveis por água
                A água pode ser empregada para remover combustíveis de encanamentos ou tanques com vazamentos. Incêndios que são alimentados por vazamentos podem ser extintos pelo bombeamento de água no próprio encanamento ou por enchimento do tanque com água a um ponto acima do nível do vazamento. Este deslocamento faz com que o produto combustível flutue sobre a água (enquanto a aplicação de água for igual ou superior ao vazamento do produto). O emprego desta técnica se restringe aos líquidos que não se misturam com água e que flutuam sobre ela.


Atendimento a Vazamentos de Gases Inflamáveis
                O único método seguro de se solucionar a ocorrência de vazamento de gás ou líquido sob pressão, com ou sem fogo, é a retirada do material.
                Como quase todas as edificações utilizam o GLP ou gás natural, é importante que todo o bombeiro conheça os riscos e as técnicas no atendimento de ocorrências envolvendo estes gases.
Gás natural
                O gás natural (gás encanado) é formado principalmente por metano, com pequenas quantidades de etano, propano, butano e pentano. Este gás é mais leve do que o ar. Assim, tende a subir e difundir-se na atmosfera; não é tóxico mas é classificado como asfixiante, porque em ambientes fechados pode tomar o lugar do ar atmosférico, conduzindo assim à asfixia.
                A companhia concessionária local deve ser acionada quando alguma emergência ocorrer.
Incidentes envolvendo o sistema de distribuição de gás natural são freqüentemente causados por escavação nas proximidades da canalização subterrânea. Neste caso, as viaturas não devem estacionar próximas ao local, por causa da possibilidade de ignição. A guarnição deve estar preparada para o evento de uma explosão e incêndio subseqüente. A primeira preocupação deve ser a evacuação da área vizinha e eliminação de possíveis fontes de ignição no local.


GLP engarrafado
                O gás liquefeito de petróleo (GLP) ou gás engarrafado, como é um combustível armazenado sob pressão, é usado principalmente em residências, em botijões de 13 kg. Sua utilização comercial e industrial é feita com cilindros de maior capacidade, de 20, 45 e 90 kg.
                Este gás é composto principalmente de propano, com pequenas quantidades de butano, etano propileno e isobutano. O GLP não tem cheiro natural. Por isso, uma substância odorífica, denominada mergaptana, lhe é adicionada. O gás não é tóxico, mas é classificado como asfixiante porque pode deslocar o ar, tomando seu lugar no ambiente, e conduzir à asfixia.
O GLP é cerca de 1,5 vezes mais pesado que o ar, de forma que,  normalmente, ocupa os níveis mais baixos. Todos os recipientes de GLP estão sujeitos à bleve quando expostos a chamas diretas. O GLP é freqüentemente armazenado em um ou mais cilindros (bateria). O suprimento de gás para uma estrutura pode ser interrompido pelo fechamento de uma válvula de canalização. Se a válvula estiver inoperante, o fluxo pode ser interrompido retirando-se a válvula acoplada ao cilindro.
                Ao se deparar com fogo em gás inflamável, e não podendo conter o fluxo, o bombeiro não deverá extinguir o incêndio. Um vazamento será mais grave que a situação anterior, por reunir condições propícias para uma explosão.
                Neste caso, o bombeiro deverá apenas controlar o incêndio.
O gás que vazou e está depositado no ambiente pode ser dissipado por ventilação, ou por um jato d’água em chuveiro, de no mínimo 360 lpm (esguicho de 38 mm com aproximadamente 5,5 kg/cm² de pressão), com 60º de abertura, da mesma maneira com que se realiza a ventilação de um ambiente, usando esguicho.
Combate a Incêndio Classe "C“
                A dificuldade na identificação de materiais energizados é um dos grandes perigos enfrentados pela guarnição no atendimento de ocorrência.
                Este tipo de incêndio pode ser extinto, com maior facilidade após o corte da energia elétrica. Assim,  o incêndio deixa de ser classe “C”, tornando-se classe “A” ou “B”, podendo ainda extinguir-se.
                Para sua extinção, deve-se utilizar agentes extintores não condutores de eletricidade, como PQS, e HALON. Não se deve utilizar aparelhos extintores de água ou espuma (química ou mecânica), devido ao perigo de choque elétrico para o operador, que pode causar-lhe a morte. Pode-se utilizar linhas de mangueiras, desde que se conheça a técnica e se tomem as precauções necessárias.
A água contém impurezas que a tornam condutora; daí, na sua aplicação em incêndios em materiais energizados, deve-se considerar todos os riscos de o bombeiro levar um choque elétrico.
                O Comandante da Operação determinará o uso de água, considerando os fatores:
          voltagem da corrente;
          distância entre o esguicho e o equipamento energizado;
          isolamento elétrico oferecido ao bombeiro, entre os quais luvas de isolamento e botas de borracha isolante.


Outro problema é a presença de produtos químicos perigosos em instalações e equipamentos elétricos, o que pode acarretar sérios riscos à saúde e ao meio ambiente. Neste caso, deve-se tomar as cautelas necessárias para sua extinção, tais como: isolar a área, conhecer as características e os efeitos do produto e usar  EPI (roupas, luvas, proteção respiratória, capacetes e capa ou roupa apropriada). Incêndio em transformador elétrico que utiliza como líquido refrigerante o “ASKAREL” (cancerígeno) é exemplo típico. Como medida de segurança, linhas energizadas não devem ser cortadas; apenas técnicos especializados deverão fazê-lo.
Contatos e cooperação com as concessionárias (CEEE, RGE, AES Sul) são vitais no combate a incêndios classe “C”, para reduzir o risco à vida e à propriedade.

Instalações Elétricas
                Nas residências, a instalação elétrica é normalmente de baixa tensão (110 e 220 volts). O método mais simples de interromper o fornecimento da energia é desligar a chave geral da instalação.
                Deve-se ter cuidado com o fornecimento de energia à edificação através de instalação clandestina, pois,  mesmo após desligar os dispositivos de entrada de eletricidade, pode haver energia no local.
                Muitas indústrias, edificações comerciais, prédios elevados e complexos de apartamentos têm equipamentos elétricos que utilizam mais de 600 volts.
Nas portas dos compartimentos que abrigam estes equipamentos (como transformadores e grandes motores), deve haver uma placa de identificação com a inscrição “alta voltagem”.
                Pode-se ainda encontrar instalações elétricas subterrâneas, isto é, galerias com cabos elétricos abaixo da superfície. Os riscos mais freqüentes são as explosões, que podem arremessar tampas de bueiros a grandes distâncias, devido ao acúmulo de gases inflamáveis de centelha de fusíveis, relês ou curto circuito. Não se deve entrar em bueiros, exceto para efetuar um salvamento. O combate deve ser efetuado desde a superfície, com o uso de gás carbônico ou PQS.
                A água não deve ser aplicada em galerias, em razão da proximidade com o equipamento elétrico.

Emergências com Eletricidade
                Em emergência envolvendo eletricidade, alguns procedimentos devem ser seguidos para manter um ambiente seguro ao serviço de bombeiros:
          quando forem encontrados fios caídos, a área ao redor deve ser isolada;
          deve-se tratar todos os fios como energizados e de alta voltagem;
          quando existir o risco de choque elétrico, deve-se usar epi adequado e ferramentas isoladas;
          deve-se tomar cuidado ao manusear escadas, mangueiras ou equipamentos próximos a fios elétricos.
          não se deve tocar em qualquer veículo ou viatura que esteja com fios elétricos, pois esse procedimento pode resultar em choque elétrico.

          Combate em Incêndio Classe “D”
                     Incêndios em metais combustíveis (magnésio, selênio, antimônio, lítio, cádmio, potássio, alumínio, zinco, titânio, sódio, zircônio) exigem, para a sua extinção, agentes que se fundam em contato com o material ou que retirem o calor destes. Metais combustíveis queimam em temperaturas extremamente altas e reagem com a água, arremessando partículas. A reação será tanto maior quanto mais fragmentado estiver o metal.
                Estes incêndios podem ser reconhecidos pela cor branca das chamas. Uma camada cinza poderá cobrir o material, dando a impressão de que não há fogo.
          Quando o material estiver em forma de limalha (fragmentado), deve-se isolar a parte que está queimando do resto por processo mecânico (retirada do material) e utilizar o agente extintor próprio, cobrindo todo o material em chama.
                  O maior problema do bombeiro numa emergência com combustíveis classe "D" é a obtenção de agentes extintores adequados à situação específica. Isso porque os metais combustíveis não apresentam um comportamento padrão para um determinado agente extintor. Portanto, deve-se agir com extrema cautela nestes casos. O melhor método de extinção é o abafamento.
                         Este tipo de incêndio será extinto com o emprego de agentes especiais, tais como grafite seco, cloreto de sódio, areia seca e nitrogênio.
          Em certas circunstâncias, a água pode ser usada como agente extintor (nas situações específicas de ligas de magnésio usadas em indústria). Neste caso, a água deve ser utilizada em grandes quantidades, pois a temperatura deste tipo de fogo é muito alta e a técnica de extinção utilizada é o  resfriamento.
                  É importante que se obtenha o máximo de informação sobre o produto em chamas, bem como se há no local o agente extintor apropriado. 



Incêndio e Emergências em Ambientes Fechados
                Operações de combate a incêndio e salvamento podem ocorrer em locais com pouca ou nenhuma ventilação, tais como: subsolos, depósitos, garagens, residências, escritórios ou outras dependências. Por isso, é importante saber quais os riscos inerentes a estes ambientes,  quando em chamas:
          Insuficiência de oxigênio, excesso de vapores e gases tóxicos e/ou inflamáveis. Para evitar estes riscos, é necessário utilizar aparelho  autônomo de respiração, mantendo o controle da quantidade do ar do cilindro. Numa atmosfera com vapores explosivos, não se deve utilizar equipamentos que produzam faíscas ou superaquecimento;
          Espaço limitado para entrada e saída. Quando o bombeiro estiver equipado com aparelho de respiração autônoma e, ao entrar ou sair por aberturas pequenas, tiver que retirar o suporte com cilindro das costas, deverá ter cuidado para que a máscara não saia da sua face;
          Colapso estrutural e instabilidade de estoques de material;
          Estruturas metálicas aquecidas pelo fogo, tais como vigas e colunas metálicas devem ser resfriadas, pois cedem rapidamente quando superaquecidas;
          Presença de eletricidade.  Antes de o bombeiro entrar num ambiente confinado, deve-se desligar a energia elétrica.
          Um cabo guia deve ser usado na comunicação entre o bombeiro do lado de fora da edificação e os bombeiros  no interior da  mesma. Este cabo deve estar sempre tenso a fim de que haja, efetivamente, comunicação. Para cada equipe de bombeiros que adentrar à estrutura,  deve haver um outro do lado de fora, responsável pela sua segurança.
                               
                         A comunicação entre os bombeiros pode ser feita tanto do interior do ambiente para o exterior do ambiente, como do exterior para o interior.
          É importante que os bombeiros no interior não fiquem com seus movimentos limitados pelo cabo. Portanto o bombeiro do exterior não deve prender ou tentar puxar o companheiro de dentro da edificação, mesmo quando em  situação de emergência. Os códigos a serem usados nestas ocasiões são:


Toda comunicação deve ter resposta, portanto, o bombeiro deve acusar, sempre, o recebimento da mensagem com um puxão, o que quer dizer que entendeu o comunicado. No caso de não receber resposta, usar o código novamente e, persistindo a falta de resposta, deve repetir o procedimento mais uma vez. Se, mesmo assim, não obtiver resposta, deve providenciar  socorro imediato ao colega.

                Do lado de fora, deve haver uma equipe de segurança pré determinada, para socorrer a equipe de salvamento em uma emergência. Esta equipe de segurança deve ser composta de dois bombeiros com EPI e EPR (máscara autônoma), que acompanharão os trabalhos da equipe de salvamento sob a supervisão do Comandante da Operação.
Um bombeiro deve controlar toda a operação no interior da edificação, supervisionando o equipamento e o pessoal, anotando missão, nome do bombeiro e tempo de trabalho de cada elemento. Este procedimento reduz a possibilidade de um homem ficar esquecido no interior da estrutura ou trabalhar fora da margem de segurança estabelecida.
                Os bombeiros não devem hesitar em sair da edificação se as condições internas indicarem a possibilidade de um iminente colapso da estrutura. Ao avançar no interior da estrutura, devem ter pleno conhecimento da quantidade de ar necessária para o retorno.


Segurança na Extinção
                Durante o serviço, a própria segurança e a dos companheiros deve ser uma preocupação constante do bombeiro. Uma vez que o bombeiro trabalha em situações de risco, deve tratar de superá-las com atos seguros (prudência).
                Jogar água em fumaça,  entrar em locais em chamas, deixando fogo atrás de si, trabalhar isoladamente e não utilizar o EPI necessário são erros que podem trazer conseqüências gravíssimas para o bombeiro e para a guarnição.
                O uso de EPI é necessário para reduzir a incidência de ferimentos em operações e também para permitir maior aproximação do fogo, visando sua extinção.
                O bombeiro não deve permanecer em poças de líquidos inflamáveis ou de água com resíduos de líquidos inflamáveis.
Ao se deparar com fogo em válvulas de alívio ou canalização e não puder conter o fluxo do combustível, o bombeiro não deverá extinguir o incêndio, sob pena de criar o problema do vazamento, mais que o anterior. No vazamento, os vapores são normalmente mais pesados que o ar e formam  “poças” ou “bolsas” de gases em pontos baixos, onde podem se incendiar. Os bombeiros devem controlar todas as possíveis fontes de ignição nas proximidades dos vazamentos de líquidos inflamáveis. Veículos, fósforos, isqueiros, componentes elétricos e fagulhas de ferramentas poderão prover uma fonte de ignição suficiente para incendiar os vapores.
                O local de ocorrência deve ser isolado e sinalizado adequadamente. Somente os bombeiros devem ter acesso ao local sinistrado. A entrada de quaisquer outras pessoas, inclusive policiais, somente será permitida com a autorização do Comandante da Operação. Mesmo após a autorização, tais pessoas devem ser  acompanhadas por um bombeiro.
Quando trabalhando em vias públicas, o bombeiro deve interditar somente as faixas de rolamento necessárias para a execução do serviço com segurança, mantendo, se possível, o fluxo de veículos em outras faixas.
                A sinalização durante a noite deve ser feita com objetos luminosos. Sinalização com fogo (latas com óleo, ou outro combustível queimando) deve ser evitada, uma vez que pode ocasionar incêndio, se houver líquido combustível vazando. A sinalização deve ser feita bem antes do local sinistrado. Existindo curvas ou declives nas proximidades, posicionar a sinalização antes deles.
                A guarnição deverá desembarcar da viatura pelo lado da calçada e trabalhar fora das faixas com tráfego. Um bombeiro deve fazer a sinalização até a chegada do policiamento de trânsito. Quando em via pública, se necessário e viável, para garantir a segurança dos bombeiros, as viaturas devem estacionar de modo que protejam as equipes de bombeiros do fluxo de veículos nas proximidades da ocorrência.

O bombeiro, em serviço, está exposto aos seguintes riscos:
          cair durante um desabamento de estruturas;
          inalar gases tóxicos;
          cortar-se;
          receber choque elétrico;
          torcer o pé ou joelho;
          escorregar e cair;
          tropeçar e cair;
          queimar-se;
          ficar preso sob objetos pesados, esmagando partes do corpo;
          contaminar-se com produtos químicos perigosos;
          ser atingido por objetos que caem;
          ser atropelado.

          Incêndio em Mata
                         A destruição das matas por incêndio, além de causar danos materiais, prejudica o sistema ecológico e o clima.
                         A quase totalidade dos incêndios em matas ocorre pela ação humana, que, de forma inadvertida ou mesmo dolosa, provoca a devastação da natureza. Aliadas à ação do homem, as situações meteorológicas adversas também contribuem para a ocorrência de incêndios, principalmente no período de julho a outubro, devido à estiagem e às geadas.
                         A guarnição designada para o combate deve estar equipada com os materiais específicos, estar tecnicamente treinada e possuir a necessária capacitação física. O sucesso da operação depende do conhecimento do comportamento do fogo e das peculiaridades da extinção deste tipo de incêndio.

Partes do Incêndio
O incêndio em matas é dividido em partes. São elas:

          perímetro: é a borda do fogo. É o comprimento total das margens da área queimando ou queimada. O perímetro está sempre mudando, até a extinção do fogo.

          cabeça: é a parte do incêndio que se propaga com maior rapidez. A cabeça caminha no sentido do vento. É onde o fogo queima com maior intensidade. Controlá-la e prevenir a formação de uma nova cabeça é, geralmente, a questão-chave para o controle do fogo.

          dedo: faixa longa e estreita que se propaga rapidamente a partir do foco principal. Quando não controlado, dá origem a uma nova cabeça.

          costas ou retaguarda: parte do incêndio que se situa em posição oposta à cabeça. Queima com pouca intensidade. Pode se propagar contra o vento ou em declives.

          flancos: as duas laterais do fogo que separam a cabeça da retaguarda. A partir dos flancos, formam-se os dedos. Se houver mudança no vento, os flancos podem se transformar em uma nova cabeça.

          focos secundários: provocados por fagulhas que o vento leva além da cabeça ou por materiais incandescentes que rolam em declives. Devem ser extintos rapidamente para não se transformarem em novas cabeças e crescerem em tamanho.

          bolsa: área não queimada do perímetro. Normalmente espaço não queimado entre os dedos.
ilha: pequena área, não queimada, dentro do perímetro. 


Combustíveis
                São divididos em combustíveis leves, pesados e verdes.
                Podem ainda ser classificados conforme as suas respectivas localizações.

Combustíveis leves ou de queima rápida
                São os que queimam com maior facilidade, permitindo uma propagação rápida do fogo. Fornecem calor para que os combustíveis pesados entrem em combustão e para que os combustíveis verdes sequem e queimem com facilidade.
                São exemplos de combustíveis leves: grama seca, folhas mortas, arbustos e gravetos.

Combustíveis pesados ou de queima lenta
                São os que queimam lentamente em decorrência do seu volume e da umidade que retêm.
                São mais difíceis de entrarem em combustão, porém, quando queimam, ardem por longo período e sua extinção é mais trabalhosa. Troncos e galhos são exemplos de combustíveis pesados.

Combustíveis verdes
                É a vegetação em crescimento. Não é de fácil combustão, porém, grande volume de fogo pode secá-la rápida e favoravelmente para entrada em combustão.
                Certos vegetais, como eucalipto, pinheiro e cedro, possuem óleos em sua constituição que,  uma vez queimados, produzem grande volume de fogo.

Fatores de Propagação de Incêndios
                O bombeiro deve estar atento a situações que possam aumentar a intensidade do fogo e modificar sua direção, fazendo as chamas crescerem subitamente e, até mesmo, voltarem-se para o local onde ele se encontra, tornando o  combate perigoso. Estes fatores são:

Condições meteorológicas
                Todos os aspectos do tempo têm efeito sobre o comportamento do fogo em mata. Alguns dos fatores que influenciam os incêndios florestais são: vento, temperatura e umidade.

Vento
                Quanto mais forte for o vento, mais rápida será a propagação do incêndio. Isso porque o vento traz consigo um suprimento adicional de oxigênio. Pode também levar fagulhas além da linha do fogo e iniciar, com isto, focos secundários. Ventos mudam a direção do fogo rápida e inadvertidamente. Essas mudanças colocam em risco tanto a segurança no trabalho quanto o próprio controle do incêndio.
                Visto que o sol aquece o solo, o ar junto ao solo aquecido sobe. Assim, as correntes de ar geralmente erguem-se pelos vales e aclives durante o dia. Durante à tarde e à noite, o solo se refresca e as correntes de ar invertem sua direção, descendo aos vales e declives. Portanto, é importante verificar a direção do vento nos vales e declives para que se planeje o ataque ao incêndio.
                Outro dos efeitos do vento no comportamento do fogo é que ele seca os combustíveis, fazendo com que queimem melhor e mais rapidamente. 




Temperatura
                Os combustíveis pré aquecidos pelo sol ardem com maior rapidez do que os combustíveis frios. A temperatura do solo também influi na movimentação das correntes de ar. A temperatura tem influência direta sobre os bombeiros, tornando-os mais estafados e cansados para o combate.

Umidade
                A umidade em forma de vapor d’água está sempre presente no ar. A quantidade de umidade que está no ar afeta a quantidade que está no combustível. O conteúdo de umidade dos combustíveis é uma consideração importante no combate a incêndios, visto que os combustíveis leves são os que têm maior facilidade em umedecer. Úmidos, esses combustíveis queimam lentamente e não produzem calor suficiente para incendiar os combustíveis pesados, tornando mais lenta a propagação.

Topografia do terreno
                Os acidentes do terreno desempenham um papel importante na propagação do fogo e, ao contrário das condições meteorológicas, que  variam frequentemente, o terreno é um fator constante.
                Deve-se levar em conta a topografia do terreno no combate a incêndios em matas.

Aclive
O fogo queima com mais rapidez para cima, porque,  no alto, as chamas encontram maior quantidade de combustível, aliando-se aos gases quentes que produzem a convecção.

Declive
                O fogo é lento porque as correntes de convecção vão no sentido oposto aos combustíveis, não os aquecendo.
                Em declives íngremes, troncos incandescentes podem rolar, causando riscos para os bombeiros, quer pelo impacto com o material, quer pela possibilidade  que este tem de conduzir o fogo para a retaguarda dos bombeiros, colocando-os entre duas frentes.

Classificação dos Incêndios em Mata
                O sucesso da operação de extinção depende do conhecimento da classificação dos incêndios em mata. A classificação é feita de acordo com a localização dos combustíveis.

Incêndio subterrâneo
                Quando há queima de combustíveis abaixo do solo, tais como húmus, raízes e turfa. Este tipo de incêndio é normalmente de combustão lenta e sem chamas, porém, de difícil extinção.

Incêndio rasteiro
                Quando há queima de combustíveis de baixa estatura, tais como: vegetação rasteira, folhas e troncos caídos, arbustos, etc.
                Este é o tipo de incêndio que ocorre com maior freqüência, é conhecido também por incêndio de superfície.

Incêndio aéreo
                Quando há queima de combustíveis que estão acima do solo, tais como galhos, folhas, musgos, etc. Este tipo de incêndio ocorre geralmente em dias de muito vento e baixa umidade relativa do ar, e é conhecido também por incêndio de copas.

 Incêndio total
                Quando temos todas as formas de incêndio acima descritas. 


Método de Combate

Ataque direto
                Consiste em combater diretamente as chamas no perímetro do incêndio. Para isso, utilizam-se ferramentas agrícolas, abafadores e bombas costais.
                Dependendo do acesso e fonte de abastecimento, pode-se utilizar moto bombas e viaturas de incêndio. O método de ataque direto deve ser usado quando o fogo não é muito violento, permitindo que os bombeiros se aproximem da linha de fogo e, também, quando o incêndio não está se espalhando rapidamente.

Abafador
                Deve ser aplicado sobre o fogo para extingui-lo, com movimentos de sobe e desce, sem ultrapassar a linha do corpo. Podem ser confeccionados de ramos verdes e tiras de  mangueiras.

Bomba costal
                Este equipamento possui, normalmente, reservatório de 20 litros de água e esguicho. A água é recalcada quando o bombeiro aciona manualmente o pistão.

Ferramentas agrícolas
                São ferramentas comuns, (tais como pá, enxada, enxadão, etc.), utilizadas principalmente para colocar terra sobre o fogo.

Ataque aéreo
                Feito por avião com tanques especiais ou com helicópteros com bolsa de água.


Ataque indireto
                Consiste em combater o fogo a alguma distância do seu perímetro. Este método é utilizado quando o fogo é de grande intensidade ou está se movendo rapidamente.
                Neste método de combate, faz-se o aceiro ou se utiliza de uma barreira natural, e, a partir da linha construída ou existente, faz-se o fogo de encontro.
                O aceiro visa extinguir o incêndio pela retirada do material e deve ser suficientemente largo para evitar que o fogo se propague para o outro lado. Aceiros mais largos que o necessário, porém, significam desperdício de tempo e esforços que podem ser vitais em outras frentes.
                O aceiro é composto de duas áreas: raspada e tombada.


Área raspada
                Consiste em remover a vegetação até que a terra viva seja exposta. Para este serviço são empregadas ferramentas manuais como enxadas, enxadões e ancinhos ou máquinas como trator de pá ou com rastelo. Deve-se, na medida do possível, evitar o encontro com vegetação de grande porte. Caso o encontro com esta vegetação não possa ser evitado, deve-se removê-la com o emprego de foice, machado ou moto-serra. Toda a vegetação retirada da área raspada, caso não esteja queimada, deve ser removida em direção à área a preservar, para, mais tarde, evitar uma grande carga de incêndio pela utilização do fogo de encontro.

Área tombada
                Consiste em se derrubar toda a vegetação em direção ao fogo, visando diminuir o tamanho das chamas, evitando que elas ultrapassem a área raspada. Dificulta também o transporte de material incandescente pelo vento.
                Utilizam-se, nesta operação, foices, machados e motosserras.

Fogo de encontro
                Técnica utilizada após a execução do aceiro. Consiste em atear fogo na área tombada em direção ao incêndio, visando alargar o aceiro.
                Quando se deixa o fogo queimar até o aceiro, há o perigo de o fogo pular a linha, devendo-se, sempre que possível, usar o fogo de encontro a partir do aceiro. A queima a partir do aceiro deve ser feita tão logo este esteja construído e após ordem do Comandante da Operação.
                Cuidados a serem tomados:
          Nunca atear fogo em área maior do que seja possível controlar;
          Atear fogo na direção do incêndio e contra o vento;
          Ficar atento aos focos de incêndio que possam surgir dentro da área protegida;
          Nunca deixar o fogo de encontro se espalhar pelas extremidades do aceiro;
          Ter pessoal para controlar o fogo de encontro;
          Onde for possível, usar o fogo de   encontro a partir de uma barreira natural;
                Se não houver condições seguras e certas de que o fogo de encontro resolverá, devido ao vento ou outros óbices, não executar este procedimento.

Rescaldo
                É quando se elimina todos os riscos de reignição do incêndio. É uma fase trabalhosa, porém, é a única maneira capaz de garantir que o incêndio foi extinto e que não tem mais riscos de reignição.
                Procedimentos para o rescaldo:
          Caminhar por todo o perímetro onde se deu o incêndio e ter certeza de que foi extinto;
          Eliminar toda  fonte de calor do perímetro do incêndio;
          Se o rescaldo for trabalhoso, permitir que o combustível queime sob controle;
          Ter certeza de que o aceiro está limpo;
          Cortar ou apagar com água troncos que possam soltar faíscas além do aceiro;
          Extinguir focos esparsos;
          Espalhar todo o material incandescente que não puder ser extinto com água ou terra para dentro do perímetro (se for o caso, enterrá-lo).
                Colocar todo o combustível roliço em posição que não possa rolar e ultrapassar o aceiro.

Prescrições Gerais
                A extinção de incêndio em mata é um serviço perigoso e exaustivo e requer do bombeiro uma tenacidade acima do normal.
                Toda operação de combate a incêndio deve ter um Posto de Comando onde haja condições de comunicação, atendimento em primeiros socorros e viaturas para deslocamentos rápidos, planejamento e controle da operação.
                O incêndio em mata tem um comportamento genérico. Devido à temperatura e à umidade do ar, ele tem menos intensidade na madrugada e maior intensidade entre às 10:00 e às 18:00 horas.
Portanto, seria lógico intensificar o combate durante a madrugada. Porém, deve-se levar em conta a pouca visibilidade neste horário, o que afeta diretamente a segurança dos bombeiros. Só uma análise apurada sobre o tipo de vegetação e terreno pode apontar qual o melhor horário para intensificar os trabalhos. Uma coisa é certa, o combate a incêndio em matas deve ser feito o mais rápido possível e ininterruptamente até a sua total extinção.
                O combate deve ser feito em equipes, não devendo nunca o bombeiro trabalhar isolado. Cada equipe deve possuir rádio capaz de transmitir o andamento do serviço e receber instruções do Comandante da Operação.
                Ao se optar pelo ataque indireto, deve-se observar a existência de barreiras já construídas (como estradas), que devem ser usadas como aceiros.
Ao usar a técnica de fogo de encontro, deve-se calcular o local onde os dois fogos vão se encontrar. Este local deve ser suficientemente distante da linha de aceiro, para evitar que a grande quantidade de fuligem produzida seja transportada pelo vento para trás deste ponto, criando outros focos de incêndio.
                Os bombeiros que vão trabalhar à noite devem chegar ao local do incêndio antes que escureça para reconhecer o terreno à luz do dia. Chegando ao local, devem, primeiramente, determinar o caminho para escapar, se for necessário.
  
                O trabalho de extinção em matas é desgastante. O período em serviço não deve exceder 12 horas seguidas e o descanso não deve ser menor que 8 horas.
                Os serviços de extinção só devem ser abandonados após rescaldo criterioso, ficando a área queimada em observação para alerta imediato em caso de reignição.
As equipes de extinção devem ter apoio do serviço de meteorologia local e de vigias, que alertarão principalmente sobre as mudanças do vento.
                O chefe de cada equipe deve ter constante e rigoroso controle do pessoal e equipamento.
                Deve-se prever suficiente quantidade de suprimentos e equipamentos para o período de combate. Deve-se, também, tomar cuidado quando se trabalha em local de vegetação muito densa (que atrapalha a movimentação) e quando há grande quantidade de combustíveis entre o aceiro e o incêndio.
                Em outros países, com tradição no combate a incêndio, existe um ditado indígena que diz: “O combatente deve ficar sempre com um pé no preto”, ou seja, com rota de escape pela área já queimada.

Equipamento para o Combate a Fogo em Mata
Equipamento de proteção individual
1. Capacete
2. Bandó (protetor posterior do pescoço)
3. Óculos de proteção
4. Capa
5. Luvas
6. Botas 



 Equipamento de proteção coletiva       
                     
          Rádios
          Faca / facão
          Material de primeiros socorros no Posto de Comando
          Ambulância com pessoal habilitado
          Binóculo
          Apito
          Cordas (cabos)
          Cantis e reservatório d’água


Cada grupo (equipe) normalmente deve ter no mínimo 3 e no máximo 12 elementos, cabendo ao chefe o controle de seu grupo.
                A verificação constante de efetivo e de equipamento deve ser prioritária.
                Para algumas operações deve-se destacar um vigia que fica longe, com rádio, apito e binóculos, para evitar que os combatentes sejam envoltos pelo fogo.
                Deve-se garantir sempre a segurança individual e coletiva e identificar todas as situações para garantir o sucesso no combate ao incêndio florestal.
                É importante manter sempre contato com o Posto de Comando e elaborar, em todo ataque, as rotas de fuga.
                Deve-se, também, zelar pelo cuidado, manutenção e bom uso das ferramentas de combate a incêndios em mata                                (principalmente quando fora da época de fogo em mato, quando devem ser feitas as previsões de necessidade para preparação para o período crítico). 














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